segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A Longa Estrada - Capítulo 8

Sammy: - então você não era rebelde ?

Mohara emocionada e com lagrimas nos olhos abraça Thomas e logo em seguida começa a chorar

Thomas: - ...moha...

Sammy: - sentimos muito cara

Mohara: - sentimos tanto a sua falta...

Thomas: acho que devo algo a vocês...

Os amigos se olham, sentindo a mistura de emoções que marca aquele momento.

O forte temporal agora se tornara uma leve chuva, o tempo passava com os sorrisos e brincadeiras que mesmo com o passar dos anos não mudaram nem um pouco. Já era inicio de tarde e Thomas já começava a se perder em pensamentos, porque não sabia o que fazer a partir daquele momento, e agora com a conversa e o breve desabafo do que ele havia guardado durante esses anos, era bom estar com seus velhos amigos, isso tornaria tudo diferente, sua intenção a principio era de enterrar sua mãe e partir em direção a novos rumos, agora uma outra porta de possibilidades estava aberta.

Moha – onde você vai agora ?

Thomas - tenho que ir pra casa

Sammy – e o seu pai ?

Thomas – hoje não tenho mais medo dele bolinha, tenho coisas a resolver com ele

Moha – você não vai...?

Thomas – não se preocupe não sou como ele.

Os três amigos se levantam vão ate a porta, a chuva agora é fina, Thomas abraça a Sammy e a Mohara. Leves sorrisos são dados.

Moha – Hoje é luto na cidade inteira,mas amanha a noite eu toco, se desse pra vc vir seria legal

Thomas- Claro venho sim

Sammy – boa sorte jogador

Thomas – ok, bolinha

Mohara pega um pedaço de papel bastante molhado pela chuva e entrega nas mãos de Thomas

Moha – leia somente quando chegar em casa ta bom ?

Thomas – positivo mocinha

A Longa Estrada - Capítulo 7

Com a pergunta de Mohara tanto ela quanto sammy olharam fixamente para Thomas, que por sua vez desvia seu olhar para um quadro situado atrás do balcão, era uma paisagem de montanha mas dificilmente se tratava de alguma das montanhas de Maryland .

Como que numa viagem no tempo e mais um gole de café

- com 12 anos eu já sabia que se ficasse em Maryland mais cedo ou mais tarde entraria em colisão com meu pai e possivelmente me tornaria alguém como ele, como que no ato de desespero e salvação minha mãe resolveu me mandar para o internato

Sammy: - não sabia que sua relação com seu pai chegava a esse ponto

Mohara: - por que não foi dito a ninguém ?

Thomas: - houve uma noite....

Os pensamentos de Thomas voltam a parecer um filme em preto e branco

- ele chegou bêbado e possivelmente sobre o efeito de alguma droga...do meu quarto foi possível ouvir os gritos de minha mãe ...foi então que com a força e desespero do desconhecido e desce ate a cozinha...minha mãe estava no chão aos prantos , descomposta e com o rosto devidamente inchado de pancadas...ao me ver ele não fraquejou e desferiu um forte chute na altura do estomago...quando o sangue de minha mãe escorreu pelo piso branco do qual ela se orgulhava de ter planejado e comprado do seu gosto... lembro de estar com uma faca empunho e só tendo o rosto do velho Paul na minha frente...o ódio em seu estado mais puro e bruto desferido num único golpe... mirando aquele rosto qe ate hoje não sai da minha mente...

Sammy começa a estalar seus dedos, mania essa que ele tinha desde a época das provas finais de Matemática.

...a centímetros de tocar e marcar o rosto dele para sempre...fui parado pelo grito e Mao direita da minha mãe... eu estava tremulo e aquele sangue que escorria pelo cabo não era do meu alvo...era o da minha mãe...ainda sem forças ela me tirou a faca...

Thomas começa a demonstrar temores nas mãos, logo seguradas por mohara.

-...bom depois daquela noite minha família não existia mais; com vergonha do escândalo, minha mãe resolveu que era melhor que todos soubesse de nada .

A Longa Estrada - Capítulo 6

Longa estrada – capitulo 6

Os sorrisos começavam a tomar conta daquela situação.

- essa foi fácil, você era o único de jeans

- você se tornou uma linda mulher moha

- obrigadinha, o tempo passa neh Thom...

- o que você faz,e o seu pai ?

- bom...todas as noites eu canto aqui e ajudo o sammy, e o velho esta ótimo, ele foi pescar em Amity com os outros veteranos da cidade.

- eu sempre me lembro dele...devo muito pro seu pai

- ele vai adorar rever você e poder falar dessa chatice que é o futebol...você ainda joga neh?!

- sim...

Thomas desviar seu olhar.

- você não tem planos de ficar neh ?

Um silencio e sammy retorna com os cafés

- hey o que tah rolando ? será q eu só chego na hora errada ?

Thomas com um leve sorriso, pega na Mao de mohara, que por sua vez não esconde o descontetamento.

- eu ainda não sei moha

Palavras vazias para aquele momento em que amigos de infância esperavam ficar juntos novamente; Mohara se levanta e vai ao banheiro em silencio.

Provando do velho e bom café de Maryland, Thomas percebe que algo havia se transformado durante todos esses anos.

- Cara! A moha esta assim a dias

- o que ta pegando sammy ?

-...ela ainda acredita de que tudo será como antes...

- e você bolinha... acredita ?

- ah thom você era o pilar da galera e anos sem apoio a casa desaba um dia.

Mohara volta aparentemente após ter lavado o rosto e secando o cabelo com a toalha; mohara senta e toma seu café que já não esta tão quente quanto os demais

- então...o que houve com você thom ?

A Longa Estrada - Capítulo 5

Mesmo num momento como aquele os sorrisos eram inevitáveis; Quando uma voz grossa do fundo do bar é seguida pela figura fofa como foi definido por Mohara e com lugar obviamente vazio pela circunstancias foi possível notar com nitidez os cabelos ruivos que hoje já não são tantos como os de anos atrás, e também seu porte de alguém acima de seus 80 kg em pouco mais de 1,60 cm.

- moha esta chovendo, você não dorme em dia de chuva ?

Um constrangimento foi notado

- eu estava no enterro...

- nossa!!! eu perdi a hora... a velha Beth vai fazer falta

- Sammy!...

- o que foi hein ? você esta histérica hoje

- esse é filho dela...

Thomas com um leve sorriso e um aceno responde:

- tudo bem sammy...

O coração carregado de manteiga de Sammy acelera,sua garganta seca e ele lembra do único menino que o defendia no intervalo das aulas em que ele era trancado nos armários pelos veteranos do colégio.

- jogador...é você mesmo ?

- você não parou de comer tortas de maça neh bolinha ?

Com lagrimas nos olhos Sammy e seus mais de 80 kg pula sobre o balcão,totalmente sei jeito e com agora uma falta de ar pelo esforço feito abraça de forma fraternal, finalmente um abraço verdadeiro fora dado a Thomas.

- eu sinto muito cara...!

- tudo bem bolinha...vou te molhar todo...

- que saudade cara!...por que ? por que ?...a tia Beth...

- não esquenta vai...

Mohara pega os dois e os convida para sentar, a principio sammy ainda demonstrava estar pouco confortável com o embaraço de momentos atrás.

Com o pouco movimento da manha e a chuva que agora se tornara forte, sammy resolve preparar um café e voltar com as toalhas.

Mohara pega Thomas pelo braço e o arrasta para a mesa mais próxima

- como você me reconheceu ?

A Longa Estrada - Capítulo 4

Ao virar e deparar-se com a figura que estava a sua frente, uma linda e jovem mulher possivelmente no auge se sua sexualidade,cabelos negros e lisos, olhos na sua mais intensa beleza castanha,corpo definido de alguém que pelo menos deve andar de bicicleta todos os dias. Ela ainda ofegante ajuda Thomas a levantar.

- tom...?

- oi...desculpa,mas pouca gente me chama assim...

- poucos amigos neh ?

Um leve sorriso é notado no rosto da mulher que logo é retribuído de forma discreta por Thomas.

- seu bobo, sou eu Mohara

- pequena moha ? não acredito, cadê as espinhas ?

Uma risada simultânea é dada, Thomas não via Mohara desde seus 12 anos.

- como vc pode notar elas se transformaram em outras coisas

Um sorriso maroto é dado pelos dois.

- sinto muito pela tia Beth...e gostaria de levar você a um lugar

Thomas concordou, afinal melhor do que andar sem rumo naquela chuva.
Numa esquina não muito longe dali os dois entram correndo num dos lugares mais tradicionais da cidade de Maryland, lugar que Thomas nunca tinha entrado por causa de sua pouca idade na época em que esteve na cidade

“Emerald Bar” é a tradição da cidade em todas as suas formas, foi fundado pelos fundadores da cidade de Maryland com ajuda de colono das cidades vizinhas, é famoso e recebe gente de outras cidades, é o estabelecimento mais antigo da cidade alguns garantem que é mais antigo que a própria cidade, antes de ser construída a prefeitura, era nele que os políticos se reuniam; era um típico pub londrino,mas as mulheres mais conservadoras da cidade chamavam de “taverna masculina” mesmo assim muitas freqüentavam o lugar.

- Sammy!!! Hey! Sammy!

- você esta brincando, é o Sammy Bolinha que vc esta chamando ?

- eu diria fofo

A Longa Estrada - Capítulo 3

Agora falta apenas poucos metros, a aglomeração de pessoas se torna maior, mas o silencio continua.

Thomas se dirige ao centro da multidão, logo seguido por Paul; as pessoas estão o cumprimentando porem nada se é ouvido.

O silencio é quebrado por uma gota de chuva, e agora bem diante de seus olhos a frase : “Querida mãe & Esposa Elizabeth D’angelo”.

Thomas mais uma vez se perde em pensamentos,aquilo agora era real , o caixão com o corpo de sua amada e querida mãe; lembranças de cada palavra e gestos se tornaram mais claros, em especial a vez em que ela dizia não temer a morte; aquilo foi a barreira suficiente para evitar que suas lagrimas rolassem mais uma vez.
A cidade inteira estava presente para se despedir de uma mulher conhecida por ser a educadora de boa parte da cidade, de sua classe media alta ate a mais baixa; uma mulher que no auge de seus 46 anos não suportou uma forte pneumonia que ate aquela hora era diagnosticada pelo legista.

Para Thomas isso não importava diante de tantas batalhas que ele viu sua mãe passar e vencer; era de se esperar que ela encontraria uma forma bem educada e serena de se retirar desse mundo tenebroso.

A chuva aperta, o caixão é posto sem eu ultimo repouso,por trás do óculos escuros os olhos fechados; as lembranças em preto e branco começam a retornar aos lugares mais desconhecidos pela própria memória.

Paul se aproxima e de forma serena Thomas exclama :

- esta consumado...

Na tentativa de um abraço proposto por Paul, Thomas se retira sem antes mesmo ter recebido os “sentimentos” das pessoas presentes

- aonde você vai ?

- não se preocupe ainda sei o caminho de casa.


Thomas repara o quanto o lugar é digno do descanso eterno de sua mãe; suas roupas começam a encharcar, ao fundo ele escuta leves passos vindo ao longe, parecia uma leve corrida.

Em sintonia com a água da chuva um chamado longe ,porem que crescia de forma a se tornar bem ouvinte no meio daquilo que agora se tornara um temporal em Maryland City, talvez fosse a despedida da cidade a uma de suas moradoras mais adorada.

- Tom!!!

Ele ainda acredita estar perdido em pensamentos, uma Mao leve e suave toca seu molhado ombro direito; a mochila cai e Thomas por puro extinto de não largar sua companheira de longas historias, abaixa no meio da chuva.

A Longa Estrada - Capítulo 2

O grupo agora formado por Thomas,Paul e os homens dirigem se as duas pick-ups Blazer que o aguardavam com o motor ligado.

Ao entrar no carro um silencio é logo notado por Thomas,ele se ajeita ao sentar passa suas mãos na sua velha calça jeans, um costume que ele tinha desde a infância.

Os vidros são levantados de forma elétrica e um ar é ligado, o carro se movimenta rumo a seu destino mesmo pelos vidros escuros é possível se ver a cidade, e pela Old Road estrada que dava acesso a todas as províncias da cidade, Thomas viu que não só o ar como também as belas imagens de sua infância em nada havia mudado.

Ao encostar sua cabeça no vidro uma pequena lagrima cai de seus olhos,algo quase que imperceptível sem um soluço se quer as lagrimas agora se tornam mais fortes,seria essa a volta a um realidade que de fato pertencia a Thomas ?

Sem se quer ao menos olhar Paul lhe oferece um óculos escuro,logo tomado e posto as olhos de Thomas.
Havia se passado 15 minutos,quando Thomas observa sua velha escola.

- pare o carro!

- vamos nos atrasar.
disse Paul em tom seco.

Thomas dispara seu olhar contra o motorista, que ao ver Paul gesticular positivamente com a cabeça, encosta o carro.
Thomas sai do carro de forma rápida e ao se deparar com portão fechado da sua velha escola, ele se aproxima e colocando suas mãos sobre o mesmo, um filme começa a ser passado, ao fechar de seus olhos ele pode ouvir os gritos e vozes das crianças em seus pensamentos; Paul apenas o observa e forma casual olha para o relógio em seu pulso direito.

Voltando a carro o silencio se segue, e como que numa angustia sem fim o carro entra na parte mais populacional de Maryland.
Thomas costumava chamar de reino, era ali que ele corria e brincava descalço na rua.

Os carros encostam na calçada que esta lotada de tantos outros. Alguns chegando meio que simultaneamente; as portas se abrem Paul se ajeita e força um sorriso discreto as pessoas que se aglomeravam em torno de um grande portão branco.
As pessoas começam a cochichar a ver a diferença tão visível de roupas e aparência entre Thomas e os demais habitantes dos carros.
Pássaros cantam enquanto a manha esta em seu auge na cidade de Maryland.
Thomas ao atravessar o grande portão branco se afasta alguns metros do grupo que o cerca, talvez querendo que aquilo durasse mais um pouco.seu coração começava a aumentar os batimentos.

Thomas para e respira fundo de forma intensa, seu mundo agora não possui mais som,nem cheiro apenas silencio.

A Longa Estrada - Capítulo 1


São por volta das 6:45 da manha, por entre as montanhas que por sua vez estão cobertas pela forte neblina muito comum nessa região nessa época do ano surge na sua velha estrada de ferro um trem de velocidade e barulho razoável rumo a sua ultima parada e estação terminal, a Cidade de Maryland City.

Na poltrona de numero 35 do vagão 8, um jovem se encontra em seu mais profundo sono ou simplesmente pensando no que o aguarda em seu destino, sua barba por fazer e seu rosto abatido são provas de que faz tempo que esse rapaz não tem um bom descanso.

É dado o ultimo apito do trem, faltam menos de 1 km e esse som faz com algumas pessoas despertassem entre elas o nosso amigo da poltrona 35, Seu nome ? Thomas e seu sobrenome era algo no qual pra ela não importava mais, jovem com seus vinte e poucos anos bem vividos.

O trem para na estação, algumas pessoas acenam das janelas,uma grande formação de pessoas se formam na estação, Thomas se dirige ate a saída mais próxima de sua poltrona, apenas com uma mochila aparentemente vazia,ele respira fundo evitando que por alguns segundos os demais passageiros saíssem pela aquela porta, de cabeça baixa Thomas se dirige ate a plataforma, ele repara na arquitetura da estação algo bem antigo porem bem cuidado,afinal uma cidade como Maryland era composta por pessoas educadas e de velhos costumes.

O ar era bem mais puro do que os que ele havia respirado nos últimos tempos; uma menina de aproximadamente uns 8 anos aperta lhe a mão e de forma surpresa Thomas esboça um leve sorriso que de muito agrado retribuído pela criança.

No meio daquela multidão que lota a plataforma,entre os gritos e abraços saudosos,um rosto familiar é visto ao final das estação,uma surpresa que nem mesmo Thomas esperava.

Um Homem com seus 43 anos e cercado por alguns homens que ate então Thomas nunca havia visto antes se aproximam de forma serena e tranqüila como se aquelas outras pessoas e festas fossem apenas figurantes,no que realmente seria dentro dessa situção.

O homem que agora frente a frente se tornara mais claro é Paul d’angelo, pai de Thomas.

Agora sem sorrisos e na frieza de afeto que não existe Paul lhe oferece um abraço que logo é correspondido por Thomas; os demais homens com sorrisos falsos lhe dizem apenas “sinto muito”.

- pensei que não fosse chegar a tempo.

- bom dia pra você também Paul.

- faz tempo que não nos vemos,daria pra na frente das pessoas me chamar de pai,papai ou dad como fazia quando jovem ?.

- como o senhor quiser... Paul.

A Longa Estrada - 1ª Temporada

A Longa Estrada - 1ª Temporada