segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A Longa Estrada - Capítulo 3

Agora falta apenas poucos metros, a aglomeração de pessoas se torna maior, mas o silencio continua.

Thomas se dirige ao centro da multidão, logo seguido por Paul; as pessoas estão o cumprimentando porem nada se é ouvido.

O silencio é quebrado por uma gota de chuva, e agora bem diante de seus olhos a frase : “Querida mãe & Esposa Elizabeth D’angelo”.

Thomas mais uma vez se perde em pensamentos,aquilo agora era real , o caixão com o corpo de sua amada e querida mãe; lembranças de cada palavra e gestos se tornaram mais claros, em especial a vez em que ela dizia não temer a morte; aquilo foi a barreira suficiente para evitar que suas lagrimas rolassem mais uma vez.
A cidade inteira estava presente para se despedir de uma mulher conhecida por ser a educadora de boa parte da cidade, de sua classe media alta ate a mais baixa; uma mulher que no auge de seus 46 anos não suportou uma forte pneumonia que ate aquela hora era diagnosticada pelo legista.

Para Thomas isso não importava diante de tantas batalhas que ele viu sua mãe passar e vencer; era de se esperar que ela encontraria uma forma bem educada e serena de se retirar desse mundo tenebroso.

A chuva aperta, o caixão é posto sem eu ultimo repouso,por trás do óculos escuros os olhos fechados; as lembranças em preto e branco começam a retornar aos lugares mais desconhecidos pela própria memória.

Paul se aproxima e de forma serena Thomas exclama :

- esta consumado...

Na tentativa de um abraço proposto por Paul, Thomas se retira sem antes mesmo ter recebido os “sentimentos” das pessoas presentes

- aonde você vai ?

- não se preocupe ainda sei o caminho de casa.


Thomas repara o quanto o lugar é digno do descanso eterno de sua mãe; suas roupas começam a encharcar, ao fundo ele escuta leves passos vindo ao longe, parecia uma leve corrida.

Em sintonia com a água da chuva um chamado longe ,porem que crescia de forma a se tornar bem ouvinte no meio daquilo que agora se tornara um temporal em Maryland City, talvez fosse a despedida da cidade a uma de suas moradoras mais adorada.

- Tom!!!

Ele ainda acredita estar perdido em pensamentos, uma Mao leve e suave toca seu molhado ombro direito; a mochila cai e Thomas por puro extinto de não largar sua companheira de longas historias, abaixa no meio da chuva.

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